Gostaria de utilizar a celebre frase de Shakespeare, uma das mais famosas, se não a mais difundida frase do universo teatral para margear uma constatação que quero dividir com vocês. Esta cena é costumeiramente uma questão interpretada por atores do mundo todo. E em se falando de atuação, neste caso a grande discussão é saber exatamente o que Hamlet pensava neste momento. Bom, Hamlet eu confesso a vocês não saber, mas Shakespeare, desconfio eu, estava convidando o mundo a questionar suas próprias verdades.
Há quase dois meses, estou trabalhando no projeto Novos Rumos Para Novos Atores, um fórum de discussão em comemoração aos 15 anos do Studio Escola de Atores (RJ) em parceria com o SATED- RJ. Confesso à vocês que, quando recebi a incumbência de fazer contato com os SATEDS dos outros estados e com pelo menos uma escola de cada estado da federação a fim de convidá-los a participar do evento, que até aquele momento eu imaginava ser de interesse de todos da classe, eu achei que a minha seria de todas as tarefas a mais fácil... –Claro! (Pensei comigo)... só tenho que localizar os atores, porque assim que souberem não só ficarão gratos pelo convite como nos ajudarão a formar uma grande mesa redonda! Entusiasmada parti para a prática, sem mais delongas me debrucei sobre uma lista de 20 SATEDS, o que foi minha primeira surpresa... –Ora! Somos vinte e sete estados, e apenas 20 SATEDS? É preciso lembrar que o SATED não é o sindicado apenas dos atores a sigla significa: SINDICATO DOS ARTISTAS E TECNICOS EM ESPÁCULO DE DIVERSÃO, ou seja, é pra ser um órgão que represente todos os artistas. Como entender, por exemplo, que um estado como o Amazonas que é palco de um dos maiores espetáculos de diversão do país, a Festa de Parintins não tenha sindicato? E o Mato Grosso do Sul? O Pará, o Tocantins, Roraima, o Amapá e o Acre? Se pra nós sindicalizados o mercado é difícil pode-se imaginar ser artista num lugar onde se quer te reconhecem? Mas enfim... fui fazer o primeiro contato. Comecei pelo sindicado do estado de Goiás porque conhecia algumas pessoas lá... e talvez por isso, foi um contato bem sucedido... e ai seguiram: Bahia, Ceará, Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, etc. Não convém aqui entrar no mérito individual de cada estado, mas o fato é que a maioria deles não deram a menor importância pro contato, pra proposta da discussão da classe e pro que isso poderia significar. Tiveram claro os que, educados foram, mais em sua maioria com exceção do SATED de Pernambuco (que fez questão de saber do projeto e quis entender que relevância ele pudesse ter para os atores locais) os órgãos que hoje nos representam infelizmente não possuem preparo ou interesse (não sei qual a palavra certa) para de fato representar a classe. Não quero parecer pretensiosa, não entendam com isso que o nosso evento é um mega acontecimento da qual não quiseram dar importância... não vamos entrar no mérito da seriedade do evento... mas e se fosse? A maioria se quer parou pra analisar, não recebi um único e-mail de retorno com uma reclamação que fosse! Não somos, mas e se fossemos charlatões falando em nome da classe? Ninguém teria reclamado, mesmo todos os SATEDS tendo sido avisados... ficaria por isso mesmo! Talvez isso se justifique pelo fato de muitos serem presididos por artistas que não são atores, aliás, alguns desconfio eu não serem presididos nem mesmo por artistas. Mais uma vez, não entendam como pretensão, mas é que artista que é artista tem alma de artista e agente sabe identificar o outro.
Meu intuito em contactar os Sateds era, primeiro fazer com que os atores locais ficassem sabendo do evento e segundo localizar ao menos uma escola local pra que os atores-estudantes também tomassem conhecimento e todos pudessem participar. Eu consegui não de todos (ficaram de mandar por e-mail a lista das escolas e eu estou aguardando até agora), mas de alguns o contato de algumas escolas, onde alem de divulgar o evento nós mandamos uma enquete com quatro perguntinhas, que deveriam ser gravadas pelo celular ou pela câmera digital, uma brincadeira... que além de fazer pensar daria voz e vez a quem tivesse algo a dizer. Impressionantemente (nem sei se existe esta palavra) ninguém... ninguém... pra não parecer que estou exagerando... das mais de 30 escolas entre técnicas e de nível superior, apenas uma pessoa, o Marcelo de Santa Catarina respondeu a enquete. Pra não parecer pretensiosa novamente e não tirar a minha parcial conclusão, eu gostaria que vocês me ajudassem a entender este panorama. Será que a abordagem foi feita de maneira equivocada? Será que nos questionar sobre o que é ser ator é uma questão que pretendemos deixar pra depois? Mas o que é o ator em sua essência se não um ser questionador que além de conhecer a si mesmo se propõe a conhecer ou outros? Que tipo de atores somos nós que não nos permitimos pensar sobre nós mesmos? Será que esbarraram na dificuldade técnica? Ou terá sido no próprio ócio? Atores ociosos conseguirão se não mudar a vida da sua platéia mudar a si mesmos? São atores? O que diria Shakespeare? “Ser ou não ser, eis a questão!”
Amanda Marquez – Apresentadora de Tv e atriz - colaboradora do Projeto Novos Rumos Para Novos Atores.
Há quase dois meses, estou trabalhando no projeto Novos Rumos Para Novos Atores, um fórum de discussão em comemoração aos 15 anos do Studio Escola de Atores (RJ) em parceria com o SATED- RJ. Confesso à vocês que, quando recebi a incumbência de fazer contato com os SATEDS dos outros estados e com pelo menos uma escola de cada estado da federação a fim de convidá-los a participar do evento, que até aquele momento eu imaginava ser de interesse de todos da classe, eu achei que a minha seria de todas as tarefas a mais fácil... –Claro! (Pensei comigo)... só tenho que localizar os atores, porque assim que souberem não só ficarão gratos pelo convite como nos ajudarão a formar uma grande mesa redonda! Entusiasmada parti para a prática, sem mais delongas me debrucei sobre uma lista de 20 SATEDS, o que foi minha primeira surpresa... –Ora! Somos vinte e sete estados, e apenas 20 SATEDS? É preciso lembrar que o SATED não é o sindicado apenas dos atores a sigla significa: SINDICATO DOS ARTISTAS E TECNICOS EM ESPÁCULO DE DIVERSÃO, ou seja, é pra ser um órgão que represente todos os artistas. Como entender, por exemplo, que um estado como o Amazonas que é palco de um dos maiores espetáculos de diversão do país, a Festa de Parintins não tenha sindicato? E o Mato Grosso do Sul? O Pará, o Tocantins, Roraima, o Amapá e o Acre? Se pra nós sindicalizados o mercado é difícil pode-se imaginar ser artista num lugar onde se quer te reconhecem? Mas enfim... fui fazer o primeiro contato. Comecei pelo sindicado do estado de Goiás porque conhecia algumas pessoas lá... e talvez por isso, foi um contato bem sucedido... e ai seguiram: Bahia, Ceará, Santa Catarina, São Paulo, Distrito Federal, etc. Não convém aqui entrar no mérito individual de cada estado, mas o fato é que a maioria deles não deram a menor importância pro contato, pra proposta da discussão da classe e pro que isso poderia significar. Tiveram claro os que, educados foram, mais em sua maioria com exceção do SATED de Pernambuco (que fez questão de saber do projeto e quis entender que relevância ele pudesse ter para os atores locais) os órgãos que hoje nos representam infelizmente não possuem preparo ou interesse (não sei qual a palavra certa) para de fato representar a classe. Não quero parecer pretensiosa, não entendam com isso que o nosso evento é um mega acontecimento da qual não quiseram dar importância... não vamos entrar no mérito da seriedade do evento... mas e se fosse? A maioria se quer parou pra analisar, não recebi um único e-mail de retorno com uma reclamação que fosse! Não somos, mas e se fossemos charlatões falando em nome da classe? Ninguém teria reclamado, mesmo todos os SATEDS tendo sido avisados... ficaria por isso mesmo! Talvez isso se justifique pelo fato de muitos serem presididos por artistas que não são atores, aliás, alguns desconfio eu não serem presididos nem mesmo por artistas. Mais uma vez, não entendam como pretensão, mas é que artista que é artista tem alma de artista e agente sabe identificar o outro.
Meu intuito em contactar os Sateds era, primeiro fazer com que os atores locais ficassem sabendo do evento e segundo localizar ao menos uma escola local pra que os atores-estudantes também tomassem conhecimento e todos pudessem participar. Eu consegui não de todos (ficaram de mandar por e-mail a lista das escolas e eu estou aguardando até agora), mas de alguns o contato de algumas escolas, onde alem de divulgar o evento nós mandamos uma enquete com quatro perguntinhas, que deveriam ser gravadas pelo celular ou pela câmera digital, uma brincadeira... que além de fazer pensar daria voz e vez a quem tivesse algo a dizer. Impressionantemente (nem sei se existe esta palavra) ninguém... ninguém... pra não parecer que estou exagerando... das mais de 30 escolas entre técnicas e de nível superior, apenas uma pessoa, o Marcelo de Santa Catarina respondeu a enquete. Pra não parecer pretensiosa novamente e não tirar a minha parcial conclusão, eu gostaria que vocês me ajudassem a entender este panorama. Será que a abordagem foi feita de maneira equivocada? Será que nos questionar sobre o que é ser ator é uma questão que pretendemos deixar pra depois? Mas o que é o ator em sua essência se não um ser questionador que além de conhecer a si mesmo se propõe a conhecer ou outros? Que tipo de atores somos nós que não nos permitimos pensar sobre nós mesmos? Será que esbarraram na dificuldade técnica? Ou terá sido no próprio ócio? Atores ociosos conseguirão se não mudar a vida da sua platéia mudar a si mesmos? São atores? O que diria Shakespeare? “Ser ou não ser, eis a questão!”
Amanda Marquez – Apresentadora de Tv e atriz - colaboradora do Projeto Novos Rumos Para Novos Atores.
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