Como é ser um Ciberespectador.
Fazer parte do projeto que comemora os quinze anos do Studio Escola de Atores e que debate temas sobre o ator multimídia, digital e também virtual é uma honra. Principalmente para uma pessoa que resolveu mergulhar no mundo das Artes Cênicas há pouco mais de um ano. Sou formada em Jornalismo e, por isso, o espaço virtual e, consequentemente, seu estudo, já fazia parte da minha vida. Aliar o ator e esse espaço foi apenas um passo para que minha curiosidade ficasse ainda mais aguçada. Para uma ‘aspirante’ a pesquisadora das Artes Cênicas, mergulhar no espaço virtual e tentar entendê-lo é fascinante.
Nas duas primeiras semanas fui ao evento, ou melhor, fui fisicamente ao evento. Devo comentar que São Pedro não estava conspirando a meu favor. Chuva e mais chuva, engarrafamentos, batidas e uma série de imprevistos. Esses ‘pequenos’ motivos fizeram com que eu trocasse de lugar nos outros dias do evento. Troquei a cadeira do teatro pela cadeira do meu quarto e o palco pelo meu notebook.
Foi a primeira vez que tive uma experiência com o livestream (site de comunicação virtual que utiliza áudio e vídeo e onde o evento era transmitido ao vivo) e no início me irritei um pouco. Às vezes não tinha som, outras vezes a imagem sumia e o pior: quase sempre quando a palestra estava muito boa o que acontecia? Saia tudo do ar. Mas apesar de todos os problemas técnicos existe uma grande compensação: ao se tornar um ciberespectador você se sente no controle do espaço e do tempo. É como estar em dois lugares, cruzar oceanos, estradas, pontes e campos sem ao menos sair da sua casa. Uma sensação incrível de poder estar onde quiser quanto sentir vontade.
Mas foi de uma ferramenta do livestream que eu mais gostei: o chat. A interação com as outras pessoas que também estavam vendo o mesmo que eu é algo incrível. Poder conversar, fazer novas amizades e comentar sobre a palestra no momento em que acontece é quase impossível quando se está sentado na platéia assistindo a um evento. No chat do Novos Rumos as pessoas se reconheciam pelos nicknames, já que uma boa parte entrava toda semana. Devo dizer que parecia que éramos conhecidos de longa data...
É muito interessante pensar no espaço virtual e também pensar nos novos rumos que esse lugar vai fazer com que a gente siga. São novos rumos para os atores, para os pesquisadores e também para nós como simples espectadores tentando entender aonde tudo isso vai nos levar. É por isso que agradeço a São Pedro pela chuva, porque sem ela eu não teria me tornado uma ciberespectadora dos Novos rumos para novos atores.
Agora falta você escolher onde quer estar quando o assunto é o ator e o espaço virtual: prefere esperar para ver no que vai dar ou quer entrar de cabeça para descobrir quais são os novos rumos? A escolha é sua.
Cris Ballard - Jornalista e pós graduanda em Artes Cênicas
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